Poesia, expressão humana,
universal.
Outras civilizações?!
Os mesmos homens,
O mesmo grito de alma,
A poesia...
dos Índios da América do Norte
Mesmo diante da casa,
no alto
Daquela montanha, cresce a flor da Iúca,
Vibrante tocha dos deuses.
É a sua luz que me cega.
É a sua luz que é mais alta
Do que eu sobre um cavalo.
E não se rasga no vento, balançando
As suas ancas.
Sob o peso das estrelas, muitas vezes
Estremece. "Porque sou assim tão grande",
Assim tão só? "Ah!, Ah! Ué!"
E a dormideira e a
alfazema devagar
Se acariciam. "Porque sou assim tão grande,
Tão exposta à solidão. Ah!, Ah! Ué!"
Mas no meio da manhã ela cresce
Mais ainda.
Como a flor da Iúca, tu também
-alta, intacta.
Tocha dentro dos meus sonhos, cada vez
Mais no espaço.
-E a minha mão mal te roça.
América,
Azetecas
Se me ponho a cantar,
Como vermelha trepadeira se entrelaça o meu canto:
Flor que cheira a milho torrado, onde se ergue a Árvore:
Perfume de flor de cacau: dança junto ao tambor,
Dança libertando o teu perfume.
Ergue-se além o sol:
Num vaso de esmeralda coberto de quetzal,
Cinge-o um colar de turquesas,
E as flores caem entre todas as cores.
Versão: Herberto
Helder, da colectânea "Rosa do Mundo 2001
poemas para o futuro"