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Esta conferência realizou-se, no Luxemburgo, no dia 10 de Outubro de 2003
 

Resumo da Conferência de
Walo Hutmacher
"A escola face às exigências de qualidade, de igualdade e
de equidade"

Organizadores:
Polo para uma escola democrática
ALICE, ASTI, CCPL, CGJL, FAPEL, FENPROF, SEW-OGBL, SNE-CGFP.
Professor de Sociologia na Universidade de Genébra. Consultor em diversos projectos internacionais e membro associado de LIFE (Laboratório de Inovação e Formação Educacional)
A) Elementos da conferência:

A mundialização acelera a competição: Cada vez mais, os jovens dos países emergentes terão elevada formação, mas serão mais mal pagos. Se a China e a Índia aumentarem em 10% o número dos seus universitários, passarão a existir mais 250 milhões!

A concorrência será mais austera para os mais favorecidos que cá vivem e levará a  precariedade aos desfavorecidos.

Os pais da nova geração são mais exigentes, eles fazem na sua vida profissional a experiência da formação ao longo de toda a sua vida; as formas legítimas da família estão diversificadas.

A escola ainda não se adaptou aos 2 pais que trabalham. A maioria dos filhos é desejada: eles tornaram-se uma "aquisição" mais consciente.

A mudança do paradigma educativo: nas famílias as crianças são criadas segundo uma forma de negociação. Na sala de aula ainda estamos numa forma de cátedra de púlpito "on est encore à la chair"

Saber mais saber fazer = competências, aquelas que são analisadas no estudo PISA.

Tudo muda à volta da escola, os adultos com melhor formação são mais criticados em relação à escola.

Nos nossos países uma opção histórica foi tomada: a escola pública para todos a qual deveria garantir a igualdade de direitos. Ora, a escola é, por excelência, uma fábrica de desigualdades. Na Suíça 3/4 dos interrogados estimam que os bem formados são os bem pagos. Ao salário juntam-se, para as mesmas pessoas, os gastos de saúde, de competitividade e de influência.

Para que as desigualdades sejam consideradas como justas, elas devem ser consideradas como individuais: as desigualdades são inevitáveis portanto são justas.

O factor essencial da desigualdade é a origem social.

Há já 25 anos que os países nórdicos (Suécia e Finlândia) atacaram a sério o problema das desigualdades.

A selecção dos alunos é, ao mesmo tempo, tabu e um motor omnipresente da e na escola.

A desigualdade entre grupos sociais não é considerada como injusta, contrariamente àquela que existe entre sexos.

Voltar a interrogar os princípios éticos, os sentimentos de justiça / injustiça.
3 princípios: UTILITÁRIO dar mais aos melhores
IGUALDADE DE OPORTUNIDADES uniformidade do tratamento: tratar igualmente as desigualdades é produzir a desigualdade - Descriminação Positiva.

Nota: a dificuldade em mobilizar os mais desfavorecidos: a comparação com o movimento feminista.

Dar, ao lado dos argumentos de justiça, o impulso economicista.

Os professores = os últimos proletários, perderam o seu estatuto, o seu reconhecimento.

B) Aquilo que os participantes fixaram como essencial:

A proletarização dos professores.

Que atitudes tomar face às diferenças num contexto de desigualdades.

Estudo do papel das 4 ou 5 línguas da escola luxemburguesa.

Como convencer da necessidade/utilidade de mudar profundamente a escola.

Importância do incidente das competências de leitura sobre as perspectivas de um emprego.

Como tornar vantajosa a heterogeneidade do público escolar?

Definição do nível mínimo de competências (trabalhos a realizarem-se na Bélgica)

Muito abordado: a proletarização dos professores.

Aprendizagem da língua materna.

Falta de vontade para permitir às crianças dos meios mais desfavorecidos de progredirem ou vontade de mantê-los em níveis baixos.

A mudança do paradigma educativo: nas famílias as crianças são  criadas segundo uma forma de negociação. Na sala de aula ainda estamos numa forma de cátedra, de púlpito "on est encore à la chair"

Os mais fortes contribuírem para "ajudar" os mais fracos.

Existe  um meio para propor as soluções de envergadura para sairmos do quadro do sistema actual.

C) E nós e nós e nós

Aceitar a ideia de que o Luxemburgo deve subir o nível de qualificação da sua população.

Colocar no centro de um projecto educativo as relações entre professores, pais e alunos.

O peso (ou a falta de peso) eleitoral das famílias mais desfavorecidas.

Uma mudança necessita de tempo, é preciso começar, mas vai levar bastante tempo.

Não deixar escapar a ocasião dos projectos de Lei que são submetidos para fazer valer os nossos objectivos tal e qual eles saem dos nossos trabalhos.

Aumentar a autonomia dos estabelecimentos escolares para contrabalançar a proletarização e favorecer a responsabilidade dos professores: projectos piloto.

Difundir as boas experiências, as que são realizadas no Luxemburgo e de outros países (principalmente dos países nórdicos)

Interesse não só social (coesão) mas também económico para melhorar as competências.

Necessidade de investigação (interdisciplinar)

D) diversos:

Transformar o plurilinguismo do Luxemburgo numa mais-valia.

No Luxemburgo, as pessoas não devem dominar todas as línguas: luxemburguês, alemão, francês, inglês, português, etc. mas dominar algumas e a diversos níveis, isso constituirá uma vantagem em relação aos estrangeiros e no seio da grande região.


Resumo elaborado pela ASTI, traduzido e adaptado por Jorge Leonel Lemos ( jorgelemos@alice-lu.org )

 


Níveis médios de competências e graduações de desigualdade social
 



Nível
médio de
competência


Graduação social
 


Fraca desigualdade
b < 38


média desigualdade
b = 38-42


forte desigualdade
b > 42



Elevado
resultado > 506

 

Coreia do Sul (21)
Japão (21)
Islândia (24)
Finlândia (30)
suécia (36)
Canadá (37
 


Irlanda (38)

Áustria (41)


Nova Zelândia (45)
Austrália (46)
Bélgica (48)
Reino Unido (49)


Médio
resultado 494 - 506

 
 
Noruega (41)

Dinamarca (42)

França (47)
Estados Unidos (48
Suíça (49)


Fraco
resultado < 494

 

Federação Russa (31)
Espanha (32)
Itália (32)
México (35
Polónia (36)

Brasil (38
Grécia (38)
Portugal (40)

Luxemburgo (46)
Liechtenstein (49)
República Checa (50)
Hungria (53)
Alemanha (60)

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