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A Tamanha Imensidão

 

A tamanha imensidão azul-escuro
que vem e foge ao nosso olhar
para quem o espreita não é duro.
Essa poça, por ser grande, é o Mar;

O Mar das aventuras de Henrique
através do qual vieram epopeias!
O Mar que levou navios a pique
que imaginadas guarda sereias;

Sereias verdadeiras dos mares
ficaram e ficam ali eternamente
e na Terra, entre ondas e azares,
fica numa mescla o impotente;

Impotente que fez o Camões
fazer grandioso poema épico
mas em terra, tantos sermões,
olvidaram a bordo o séptico;

Séptico o alimento se tornava
onde ninguém podia duvidar!
O céptico por crente se tomava
para ó chão da poça não arriar;

Arriar de que Luís não escreveu,
mas ele também foi um sofredor.
e se na verdade isso o comoveu,
era poeta e não um comentador;

Comentador pode ser um poeta
que realça e não oculta maresia.
Luís Vaz de Camões é o alerta
que veste o indúvio à poesia ...

"João das Boas Pedras"


Poesia retirada da obra, não publicada, de Adelino Martins: "Guilhermino Pau Para Toda a Colher"